O que foram os acordos de Breeton Woods?

26-07-2011 23:53

 O que foram os Acordos de Breeton Woods?

Acordo monetário entre os principais países industriais. O sistema Bretton Woods foi o primeiro exemplo e talvez o único, na história mundial, de uma ordem monetária totalmente negociada, tendo como objetivo governar as relações monetárias entre Nações-Estado independentes.

Preparando-se para reconstruir o capitalismo mundial enquanto a Segunda Guerra Mundial ainda grassava, 730 delegados de todas as 44 nações aliadas (inclusive a União Soviética) encontraram-se no Mount Washington Hotel, em Bretton Woods, New Hampshire, EUA para a Conferência monetária e financeira das Nações Unidas. Os delegados deliberaram e finalmente assinaram o Acordo de Bretton Woods durante as primeiras três semanas de julho de 1944.

Lá os que planejaram o acordo estabeleceram o International Bank for Reconstruction and Development (BIRD) (now one of five institutions in the World Bank Group) and the International Monetary Fund (IMF). Essas organizações começaram a operar em 1946 depois que um número suficiente de países ratificaram o acordo.

Os principais termos do acordo eram: a obrigação dos países de adotarem uma política monetária que mantivesse as taxas de câmbio dentro de uma banda fixa (mais ou menos 1% pra cima ou pra baixo) em termos de ouro (dólar na prática) e a habilidade do FMI de cobrir desequilíbrio no balanço de pagamentos. 

Em face de crescente contração monetária, o sistema colapsou em 1971, seguindo a suspensão dos EUA em converter dólares em ouro.

Em resumo:

-          Câmbio fixo ajustável;

O sistema procurou assegurar as vantagens do padrão ouro sem suas desvantagens. Regime de flutuação suja de 1% pra cima ou para baixo do câmbio em relação à sua paridade com o ouro (dólar na prática), que seria garantido via compra e venda de dólares pelo Bacen. Os EUA se comprometiam a assegurar a conversão de US$35,00 a onça de ouro.

Na prática as mudanças na paridade se tornaram raras.

-          Permitia controles para limitar os fluxos de capital;

Único elemento (segundo Eichengreen) que funcionou mais ou menos como planejado. Num ambiente de controle dos juros, regulação dos mercados (e canalização dos créditos), licenças para importação, compromisso com crescimento, emprego, etc. Políticas deflacionárias já não eram mais aceitáveis politicamente. Os controles eram parte de uma séria de comportas para conter as enxurradas de capital.

-          E o FMI monitorava políticas econômicas nacionais e procurava equilibrar o Balanço de Pagamentos;

Na prática um Leão desdentado, recursos do Fundo pequenos para as necessidades dos pagamentos do pós-guerra.

 

2. A negociação durante a Guerra, pré-acordo.

Nos termos da Carta do Atlântico e do Acordo de Ajuda Mútua, EUA (Dexter White) e Inglaterra (Keynes) estavam empenhados em compatibilizar os objetivos de restaurar a conversibilidade da libra na conta corrente e aceitar o princípio da não-descriminação comercial em troca de promessas americanas de oferecer ajuda financeira.

Plano de Keynes: permissão para os países modificarem suas taxas de câmbio e adotar restrições cambiais e comerciais conforme o necessário para compatibilizar o Pleno Emprego e o BP, advento da Clearing Union (Banco Mundial de Compensações) para penalizar países que tivessem superávits e quisessem aumentar juros, superávits financiariam todos os outros déficits, US$ 23 bi.

Plano de White: mundo livre de controles de capital e com paridades cambiais fixas sob a supervisão de uma instituição internacional com poder de veto nessas paridades (FMI), visão mais favorável ao livre comércio.

Negociação do Acordo: FMI com pouca reserva (US$ 8,8 bi), e por isso descarte das paridades fixas, banda suja em 1% pra cima e pra baixo, valores poderiam ser corrigidos em até 10% após consultas com FMI. Manutenção dos controles da capital. E aprovação da cláusula de escassez de divisas (proposta por Keynes) autorizando o controle sobre as importações de países que registrassem persistentes superávits.

Do acordo 1944 a 1949 (fracasso!?)

Idéia de que esse sistema poderia funcionar foi bastante ingênua:

-          Plano Marshall injetou US$ 13 bi na economia à revelia do FMI;

-          Sistema inicial de paridades cambiais revelou-se inviável, em setembro de 1949, aconteceu uma desvalorização média de 30% sobre as moedas européias;

-          Mostrou-se impossível no período eliminar os controles sobre a importação;

EUA Subestimaram? Por um lado avaliação incorreta nos custos de reconstrução. Por outro, não, eles tinham interesses em aprofundar o livre comércio multilateral (FRA e ALE) e acabar com a preferência imperial da ING. Ascensão da indústria bélica no sul e Congresso dos EUA a favor mais do comércio resultante do acordo que das provisões monetárias.

Em resumo, nos EUA idealizou-se o livre comércio, mas na prática o que se viu depois do acordo foram mais barreiras e diferenças nas taxas de câmbio em longo tempo para a retomada da liberalização do comércio.

Do outro lado, A Europa estava comprometida com os Investimentos internos, colocava barreiras ao comércio, e também havia problemas de coordenação pra retirada das barreiras, 1º rodada, ou a Carta de Havana não foi ratificada pelos EUA, que depois tentaram reverter o fracasso com o GATT (pág 141).

Exemplo da falta de coordenação: a Libra Esterlina e o realinhamento das moedas européias.

-          Grã-bretanha tentou restaurar a conversibilidade em 1947 com ajuda dos EUA (que queriam beneficiar suas Exportações, e tentar recriar o comércio multilateral dado o peso da libra), e fracassou vertiginosamente (pois havia uma pressão muito grande para converter em dólares os ativos em libras no exterior);

-          França, Itália e Alemanha também sentiam duras fugas de capital.

-          Recessão nos EUA em 1948-49 enterrou tentativa de voltar à paridade, fez cair exportações européias e crescer o desnível cambial, a 2º Guerra alterou as taxas de câmbio, em 1949 23 países desvalorizaram suas moedas.

De 1949 a 1958 (sucesso?)

Desvalorizações de 1949 produziram efeitos desejados, reservas não caíram mais, franceses puderam relaxar restrições cambiais e superávit da conta corrente americana caiu em mais de 50% no 1º semestre de 1950.

Criação da União Européia de Pagamentos (UEP) em 1950 como resposta á idéia de que “o regime monetário internacional do pós-guerra era um sistema assimétrico no qual os EUA e o dólar desempenhavam papéis excepcionais”, como a Guerra Fria já era realidade os EUA ficaram mais dispostos à aprovar discriminação do comércio para facilitar crescimento da Europa Ocidental.

Mesmo modelo de BW, com coordenação para caminhar simultaneamente à restauração da conversibilidade das contas correntes (Código de Liberalização criado pela OCEE), países que registravam déficits teriam acesso à créditos.

Ao contrário do padrão ouro, agora com os partidos de esquerda de base operária pressionando, não era tão fácil impor políticas deflacionárias, restritivas. Compromissos com maiores salários, impostos sobre a riqueza, programas sociais, crescimento estavam na pauta do dia.

Grã-bretanha, Alemanha e França, na impossibilidade de utilizarem as taxas de juros para tentar estabilizar seus BPs em larga medida, utilizavam diversos instrumentos, o mais comum foram os controles de câmbio, barreiras às importações, tímida elevação dos impostos e taxas de juros, acesso à créditos da UEP e ao final do período em 1958, frente à crise, a França desvalorizou sua moeda.

De 1959 a 73 (declínio e fim?)

Com a retomada do crescimento na Europa e no Japão, registrou-se uma melhora nas balanças comerciais. A Europa passou a ser ponto de atração de empresas americanas, o Plano Marshall e os gastos militares engrossaram fluxo de recursos para a Europa com US$ 2 bi anuais, a distribuição de reservas americanas restabeleceu as bases para a conversibilidade das contas correntes em 31 de dezembro de 1958 .

Sistema de paridades fixas exigia crédito para financiar desequilíbrios:

Debate sobre liquidez internacional dos anos 60:

o   Quanto maior a relutância em ajustar a paridade e elevar as taxas de juros e os impostos, maiores volumes de crédito necessários;

o   Quanto maior o relaxamento dos controles de capital, maior necessidade de financiamento para contrabalançar saídas especulativas.

o   Países de moedas fracas querendo mais quotas e aumento nas reservas internacionais versus países fortes que se opunham.

Proeminência do dólar como reflexo da posição central dos EUA no comércio e nos estoques de ouro, sistema fica dependente do dólar para atender suas necessidades cada vez maiores de liquidez, contração ou expansão dependia dos EUA, EUA poderiam incorrer em déficits de tamanho equivalente ao montante que governos desejavam adquirir.

o   EUA é criticado por De Gaulle pelo seu “exorbitante privilégio” e França inicia ameaça à conversão do dólar por ouro.

o   Dilema de Triffin: “Acumular reservas era atraente na medida em que não houvesse dúvidas sobre suas conversibilidade em ouro. Mas depois, depois que os saldos em dólar no exterior cresceram muito em relação às reservas norte-americanas em ouro, a credibilidade do sistema poderia ser colocada em dúvida”. Em 1960 pela 1ª vez o passivo monetário dos EUA no exterior (quantidade de dólares fora dos EUA) ultrapassou suas reservas em ouro.

o   De Gaulle era uma grande credor que ameaçava liquidar seus saldos, entendeu o mecanismo e exerceu muita pressão sobre o sistema.

-          Nessa mesma discussão de liquidez, impossibilidade de elevar as quotas no FMI e a emergência dos países do 3º mundo como possíveis potências econômicas criou os Diretos Especiais de Saque. Os EUA a principio foi contra e depois fechou um acordo com a França que poderia haver os mecanismo do DES quando os EUA eliminassem seu déficit no BP. Em 1969 aconteceu o tal superávit e o 1º desembolso de DES, porém, a liquidez foi elevada ainda mais em virtude das políticas monetárias mais expansionistas de outros países, o que era ruim nesse ambiente inflacionário. Os EUA junto com os outros países seguraram o quanto puderam seu câmbio valorizado.

Um pergunta deve ser feita a respeito disso tudo. Pq os paises relutavam em desvalorizar suas moedas em resposta a desequilíbrios externos? Apesar de que as fragilidades externas pudessem desencadear fugas de capital, do teto para a taxa de juros, pouca margem para políticas de redução de gastos. A resposta é porque não era interessante para ninguém um desequilíbrio no sistema monetário internacional.

Agora, como o sistema sobreviveu até 1971? Boa parte da explicação está na cooperação entre governos e bancos centrais, o suporte internacional às moedas. Emergência do “Gold Pool” (compromissos dos países de não converter seus dólares em ouro) como resposta a pressão sobre o dólar em 1961.

Autor apresenta o exemplo de políticas restritivas, ajudas internacionais, cooperação, etc, para manter a paridade na seção da “batalha em defesa da Libra”: Políticas restritivas de aumento de impostos e juros resultavam em mudanças políticas, que hesitava em continuar com essas medidas, porém hesitava em desvalorizar (para não ficar estigmatizado), após apertos de controle de capital e ajudas do FMI a libra se se desvalorizou em 1967.

Os EUA na mesma linha da ING utilizaram inúmeros artifícios, cooperação internacional, pressão política para fortalecer sua conta corrente e manter o dólar valorizado, forma elas:

-          Esforços para aumentar as exportações;

-          Emissão de bônus denominados em moeda estrangeira

-          Restrições de empr´stimo ao exterior

-          Cooperação internacional, aquisição de Bônus Roosa (garantidos contra a desvalorização do dólar);

Em última instância a ameaça era “chutar o pau da barraca” e desequilibrar todo o sistema de câmbio, porém os governos não estavam dispostos a ceder ilimitadamente.

Uma questão ao final: qual seria a pressão para a desvalorização se não eram absolutamente convincentes as evidencias de inflação excessiva, expansão monetária e déficits nos EUA?

Explicar.... The Balassa-Samuelson effect (also known as Harrod-Balassa-Samuelson effect (Kravis and Lipsey 1983), the Ricardo-Viner-Harrod-Balassa-Samuelson-Penn-Bhagwati effect (Samuelson 1994, p. 201), productivity biased purchasing power parity (PPP) (Officer 1976) and the rule of five eights (David 1972)) is either of two related things:

  1. The observation that consumer price levels in wealthier countries are systematically higher than in poorer ones (the "Penn effect").
  2. An economic model predicting the above, based on the assumption that productivity or productivity growth-rates vary more by country in the traded goods' sectors than in other sectors (the Balassa-Samuelson hypothesis).

Em 1971 registraram-se enormes fluxos de dólar para o marco alemão. A ALE permitiu a apreciação, porem França e ING correram para a conversão. 13 de agosto Nixon fecha o gichê do ouro.

Seguem o acordo Smithsoniano, desvalorizando um pouco o dólar e valorizando outras moedas. Ataque à libra foi o golpe final, em 1973 foi negociada uma segunda desvalorização do dólar em 10%.

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Idéia é ser no mínimo um espaço de troca de idéias sobre a crise, se 3 ou mais pessoas toparem vem falar comigo depois da aula. Podemos marcar uma reunião pra discutir o caráter no blog, pelo menos será um espaço pra facilitar o trabalho da aula depois e expor o material que a gente for conseguindo discutir no seminário aqui em aula. O pessoal da UFRJ já topou super ajudar se a gente fechar esse blog.