Liberalismo ou Escola Clássica

26-07-2011 23:44

 Liberalismo ou Escola Clássica

Praticamente no mesmo instante em que surge, na França, a ciência econômica com 

os fisiocratas, na Inglaterra, Adam Smith, em 1776, pública a “Riqueza das Nações”. Trata-

e de um esforço de revisão das idéias econômicas mercantilistas e também da constituição 

de uma “Escola Econômica”. O liberalismo econômico foi defendido por vários autores; 

dentre eles, pode-se citar Adam Smith, Thomas Malthus e David Ricardo. Estes 

defenderam o fim da intervenção do Estado na economia, à livre concorrência e o fim das 

medidas protecionistas e dos monopólios. Estes não reconheciam a exclusão social, como 

um problema da sociedade e sim do próprio trabalhador, que estava naquela situação de 

penúria porque não queria trabalhar pelo salário ou pelo preço que o mercado estava lhe 

oferecendo pela sua mão-de-obra. Smith cria uma ciência econômica que apresenta 

números pontos de semelhança com a dos fisiocratas. 

          Partindo de um ponto de vista menos acanhado que o dos fisiocratas, amplia o seu 

campo: ao invés da produtividade agrícola toma como problema econômico central o 

rabalho, entendido com “trabalho ajudado pelo capital”, ou seja, atividade produtiva. E, 

azendo do trabalho, assim compreendido, a fonte da riqueza, reage contra a concepção 

metalista dos mercantilistas e a noção exageradamente agrária dos fisiocratas. Para Adam 

Smith, o Estado deve desempenhar três funções: manter a segurança militar, administrar a 

ustiça e construir e manter certas instituições públicas. Segundo ele, a intervenção do 

Estado em outras questões era inútil e prejudicial à economia, pois tendia a alocar mal os 

ecursos e, conseqüentemente, reduzir o bem-estar social, a economia  seria guiada por 

uma “mão  invisível”, ou seja, pelas  leis   naturais do mercado. Essas leis eram: a livre 

concorrência e a competição entre os produtores, que determinavam o  preço  das 

mercadorias e eliminavam os fracos e os ineficientes. Assim, o mercado torna-se 

esponsável pela regulamentação da economia, trazendo harmonia social e econômica, sem 

ntervenção do Estado (Shermam, 1998). 

Para Adam Smith, se o trabalho determinava a propriedade nacional e o mesmo não 

e realizava sem o trabalhador, e, conseqüentemente, esse não viveria sem o salário, 

portanto este deveria receber no mínimo um salário que correspondesse ao necessário para 

ua própria reprodução (salário eficiência).  

No entanto, como alertavam os economistas não-liberais, se a economia é deixada à livre 

orça do mercado, a exclusão social irá aumentar, pois, ao contrário do que diziam os 

iberais, os capitalistas buscam seu próprio bem-estar e este raramente será o melhor para a 

ociedade como um todo. O salário estava condicionado à procura e à oferta de mão-de-

obra, considerava-se suficiente apenas uma quantia para a subsistência do trabalhador, o 

que não era suficiente para uma família viver com dignidade. “Assim, as leis do mercado 

ustificavam os salários de fome e a exploração dos trabalhadores.”

Enquanto os mercantilistas faziam a riqueza depender do ouro e os fisiocratas, da 

erra, Smith vê a sua origem no trabalho do homem. Essa noção de trabalho, com que 

ubstitui a de produtividade exclusiva da agricultura, é característica da sua concepção de 

“liberdade natural”. O estudo aprofundado que Smith faz do trabalho e da sua 

produtividade, servirá de base à explicação da riqueza das diferentes nações:

“Não   se   vêem,   porventura   –   escreve   ele   –   povos   pobres   em   terras   vastíssimas,  

potencialmente férteis, em climas dos mais benéficos? E, inversamente, não se encontra,  

por vezes, uma população numerosa vivendo na abundância em um território exíguo, até  

algumas vezes em terras penosamente conquistadas ao oceano, ou em territórios que não 

são favorecidos por dons naturais? Ora, se essa é a realidade, é por existir uma causa sem 

a qual  os recursos naturais,  por preciosos que sejam,  nada são,  por assim dizer; uma 

causa que,  ao atuar ,  pode suprir a ausência ou  insuficiência de recursos naturais.  Em 

outros   termos,   uma   causa   geral   e   comum  de   riqueza,   causa   que,   atuando   de  modo  

desigual e vários entre os diferentes povos, explica as desigualdades de riqueza de cada 

um deles; essa causa dominante é o trabalho.” 

           A proporção entre o produto do trabalho e o consumo é determinada por um 

elemento quantitativo do trabalho, isto é, pela relação existente entre o volume da 

população ativa e o da inativa e, sobretudo por um elemento qualitativo do trabalho: sua 

eficácia. Smith mostra ser a eficácia do trabalho, quanto ao rendimento, mais importante 

do que a quantidade de trabalho empregado. A eficácia do trabalho nas nações progressivas 

provém essencialmente da divisão do trabalho (divisão das diferentes tarefas de fabricação 

de um produto entre os operários), não apenas pelas qualidades econômicas que lhe são 

peculiares, mas também por ser o homem levado “espontaneamente” à atividade graças ao 

seu interesse pessoal e, além disso, por coincidir esse móvel egoísta com o interesse geral.

        O liberalismo econômico assenta-se sobre essa base: uma vez que o interesse 

individual coincide com o interesse geral, deve-se, na prática, deixar plena liberdade de 

ação aos interesses privados. 

           O liberalismo não só se impõe, mas também muda de caráter: laiciza-se. Daí por 

diante a ciência econômica, graças a essa motivação psicológica, poderá, com maior 

flexibilidade, evoluir no sentido de tornar mais exatas suas concepções, as quais, aliás 

muito posteriormente à Escola Clássica, vão-se tornar bem precisas nas teorias modernas 

das escolas hedonistas.

          O declínio do liberalismo clássico remonta ao final do século XIX quando começou 

a declinar lentamente. Com a quebra da Bolsa de Valores de Nova York, em 1929, e a 

subsequente Grande Depressão, a queda foi vertiginosa. A partir daí, caiu em descrédito, ao 

passo que ganharam força teorias de intervenção do Estado na economia, notadamente as 

idéias de Keynes, aplicadas, quase simultaneamente, pelo plano do New Deal do 

presidente norte-americano Franklin Roosevelt e pelo governo Nacional Socialista da 

Alemanha de Hitler, onde seu ministro da economia Horace Greely Hjalmar Schacht [7] 

(1934–37), nesses três anos, enquanto o resto do mundo se afundava ainda mais na 

recessão, conseguiu acabar com o desemprego na Alemanha Nazista, sem provocar 

inflação, adotando um déficit orçamentário que chegou a atingir 5% do PIB alemão. Estas 

políticas já tinham sido incorporadas à legislação alemã no final de 1932 pelo governo de 

Kurt von Schleicher e tiveram influência nas políticas do New Deal de Roosevelt. Em 

1936 Keynes publicou sua obra magna The General Theory of Employment, Interest and 

Money que veio a dar o suporte teórico a esse tipo de intervenção governamental na 

economia, a qual já vinha sendo adotada, intuitivamente, uns poucos anos antes da 

publicação do livro de Keynes.